Artigo do Diretor do RI Mário César Camargo - Foco no problema ou na solução?

Aqueles rotarianos que, como eu, compõem os 70% da população rotária acima dos 60 anos !!!  (Como assim? 14% entre 60 e 69 anos, 15 % de mais de 70 anos e 41% que não revelaram a idade, mas é pouco crível que escondam porque são jovens demais), lembram-se do período militar, o general Ernesto Geisel, e seu jogador favorito na seleção brasileira, o Dadá Maravilha.

Calma, não vou entrar em discussão política nem futebolística, que ao lado de religião, são assuntos tabus no Rotary, porque divisivos. Apenas lembrei-me da tirada antológica do nosso Michael Jordan brasileiro, aquele que dizia marcar gols no futebol enquanto flutuava no ar como colibri, a exemplo da lenda americana que fazia o mesmo numa cesta de basquete.

Numa época em que a palavra de ordem era “problemática”, ele se posicionou como “solucionática”. Aquele que resolve o problema, faz o gol, ganha o jogo. Foco na solução, e não no problema.

Assim deve ser o rotariano. Para problemas de quadro associativo, fundamos clubes. Clubes com mulheres, com jovens, temáticos, diversas profissões e raças. Clubes nos vazios rotários  (há bairros nobres em São Paulo sem um clube), clubes em hospitais, em universidades, em associações de classe e empresariais. Nosso modelo de clube flexível permite enquadrar esses formatos sem quebrar o manual de procedimento.

A primeira palavra de ordem é mudança. Sem acompanhá-la, vamos sucumbir, pois nossos valores permanecem vigorosos, mas nossas práticas e estilo formal, não são aceitas por muitos jovens. Aqueles clubes que resistem, perecerão junto com seus supostos líderes resistentes.

Os dirigentes do Rotary, aqueles que valorizam a instituição e a perenizam, focam na construção, não nos hábitos. Focam na criação, não nas formalidades. Focam no legado, e não na gestão. Aliás, o fundador Paul Harris lembrava: “O Rotary terá que ser evolutivo sempre, revolucionário às vezes”. Declaração visionária.

A segunda palavra é tolerância, pregada pelo fundador desde sempre. Em minhas viagens de fim de semana, e serão 46 vezes durante este ano 2019-2020, enfrento as lamúrias, reclamações, energia despendida em conflitos internos, muito calor e pouca luz. Foco na problemática, e não na solucionática.

Ex-dirigentes que boicotam as atuações dos atuais, impedem a criação de clubes, estimulam a discórdia e a disputa, para cargos de presidentes de clube e governador de distrito. Como resultado, gestões amargas, com queda do quadro associativo, falta de captação de recursos e projetos da Fundação, um ambiente corrosivo e nocivo entre irmãos. Ganham sem levar o troféu.

Lembro a estória do general grego Pirro, cuja vitória extremamente custosa em termos de vidas na Batalha de Ásculo, provocou a famosa declaração dele: “Mais uma vitória como esta, e estou perdido”. Nós rotarianos deveríamos evitar conflitos, afinal somos, pela Fundação Rotária, que patrocinamos uma das mais generosas bolsas de estudos de pós-graduação, as bolsas Pró-Paz.

Como terceiro pilar, os resultados. Também para Paul Harris, “Qualquer que seja o significado do Rotary para os rotarianos, para o mundo ele será conhecido pelos resultados”. De nada adianta tanto esforço, tantas horas de trabalho voluntário (um cálculo da John Hopkins University atribui aos rotarianos mais de 155 milhões de horas/ano de trabalho sem pagamento), tanta energia positiva e boa vontade, se não apresentarmos resultados.

Resultados em aumento do nosso time, de aumento do nosso impacto em nossas comunidades, de crescimento dos valores e das pessoas beneficiadas pelos nossos projetos, da contínua melhoria de nossa imagem como organização perante a sociedade, governo, comunidades. O resto é mimimi, ou nhémnhémnhém.

Solucionática, e não problemática, é o que moverá o Rotary no Brasil e na América do Sul.

 

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